[OPINIÃO] Sasaengs

Todo fã de k-pop sabe quem são as sasaengs, e muitas vezes nós realmente as odiamos pelos seus atos extremos para mostrar seu amor – ou ódio – por um ídolo. Casos como invasão de dormitório dos grupos, perseguição de carros, câmeras escondidas em bichinhos de pelúcia, ameaças de morte e objetos lançados contra os ídolos, nos deixam de cabelo em pé.

Eu acompanho esses casos desde que entrei para o mundo do k-pop, em 2009, e até hoje essas histórias me deixam assustada. Até que ponto um amor de fã pode chegar? Até que ponto esse amor é saudável? Quando um hobby pode virar, basicamente, uma doença mental, onde a fã pensa que tem posse sobre o ídolo?

Foi quando encontrei um artigo, escrito pela Harmonicar, no site Soompi. E lendo este artigo, eu repensei algumas coisas sobre essas fãs extremas. Não, eu não as defendo e muito menos justifico os atos delas. Mas ler um relato de uma fã [normal] que vive na Coreia me fez ver essa história por outro ângulo. Eu enviei um comentário no artigo, pedindo autorização da autora para traduzir o post para colocar aqui no MLD. Ele é grande, mas vale MUITO a pena ler. Em menos de dez minuto você termina.

[Traduzi da melhor maneira possível ok? Coloquei sempre como “as fãs”, mas podem ser fãs dos dois gêneros – fan em inglês não tem gênero.]

[This whole post is in Portuguese. It’s a translation of an opinion article about sasaengs that I’ve read on Soompi.  I asked the author for permission to translate it, and I also put the original source at the end, so go take a look <3 ]

Por que existem Sasaengs na Coréia?

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A personagem Sung Shiwon, de “Reply 1997”, dormia do lado de fora da casa de seu ídolo.

Vamos falar sobre sasaengs.

Sasaengs são uma das características mais peculiares do K-pop, e que deixam muitos fãs ocidentais coçando as cabeças. O que motiva uma fã a esperar na chuva por horas no lado de fora da casa do ídolo, hacker contas do Twitter, ou invadir dormitórios? Além disso, como sasaengs sabem onde os ídolos vivem, ou onde eles estarão? O que há na Coréia que perpetua a cultura sasaeng?

Mesmo nunca tendo sido uma sasaeng, nos meus três anos vivendo na Coreia, e dois sendo fã ativa, eu esbarrei na cultura sasaeng mais de uma vez. Antes de começarmos, vamos mergulhar um pouco na psique da fã. O que faz uma fã ser uma sasaeng, e além disso, o que é uma sasaeng?

Para começar, não acho que seja estranho querer saber mais sobre um ídolo. Uma coisa que os ídolos são extremamente bons – e talvez até treinados para  – é fazer a quantidade certa de fanservice para que as fãs se sintam próximas a eles, mas não o suficiente para dizer tudo a elas. Nas gravações de fãs, os integrantes falarão sobre histórias engraçadas sobre o que aconteceu no dia anterior, o que eles comeram de almoço, e outras anedotas sem sentido que faz as fãs se sentirem amigas deles.

As fãs vão embora se sentindo próximas aos ídolos porque aprenderam algo que outras pessoas não sabem, e vivenciaram um momento “privado” dos seus bias. O “sonho” de que seu ídolo te reconheça é físico por causa dessas interações. Entretanto, ao mesmo tempo, as fãs ficam querendo saber mais.

A realidade é que após esses compromissos, uma fã normal não sabe o que acontece na vida privada do ídolo, e apesar de muitas serem curiosas, nunca irão agir acima de sua curiosidade. Em contraste, eu penso que sasaengs são um tipo especial de fãs que são motivadas a agir pela sua curiosidade, e é o desejo de saber mais que as movem para o comportamento sasaeng.

A indústria alimenta esse fervor. Companhias, e ídolos, são bem informados do fato que a imagem de “acessibilidade” os ajuda com o passar do tempo – por qual outro motivo os ídolos seriam proibidos de namorar? A possibilidade de conhecer a celebridade deixa as fãs loucas, quando sentem a necessidade de – o que elas podem pensar como – ter propriedade sobre o ídolo. Sendo assim, fãs normais contribuem, de várias maneiras, financeiramente ao seu grupo preferido. Elas podem contratar caminhões de comida, comprar álbuns em grupo, ou simplesmente comprar presentes caros para os ídolos. Entretanto, sasaengs levam esse suporte ao próximo nível, com contribuições financeiras mais extravagantes. Apesar de sasaengs parecerem fãs loucas para a maioria dos ocidentais, elas geralmente tendem a ser muito fortes, se não as mais fortes, apoiadoras financeiras do grupo – fazendo companhias, e até certo ponto, ídolos, relutantes em reprimi-las.

A segunda questão, “o que é uma sasaeng”, parece fácil de responder – qualquer fã que investiga a vida privada de um ídolo – mas depois de viver na Coreia, eu descobri que isso não é tão preto e branco quanto parece. Se uma fã planeja ir ao Japão e acontece de saber que o ídolo está indo no mesmo fim de semana, e eles acabam exatamente no mesmo voo (não por acaso), isso é uma sasaeng? E se acontece de ouvirem que o bias está no restaurante da família e elas aparecem na mesma hora? Ou se elas sabem que o ídolo está ensaiando na companhia e elas esperam eles sair? Quando a paixão da fã ultrapassa o limite para o comportamento sasaeng? Uma área cinza existe e as companhias e os ídolos não sabem o que fazer – uma fã num nível um pouco acima do “fã normal”, mas ligeiramente abaixo do nível sasaeng, perpetuado com a facilidade que essas fãs conseguem acessar seus ídolos.

Quando falamos sobre a Coreia do Sul, a primeira coisa a se lembrar é que a Coreia é muito pequena. Uma pessoa pode atravessar o país de norte a sul em apenas quatro horas e meia de carro. Se você pegar a estrada de alta velocidade, pode diminuir esse tempo pela metade. Além disso, diferente de outros países que possam ter dois ou três centros de concentração de entretenimento, Seul é o único destino para companhias de músicas e artistas.

Essa chave de acesso encoraja a cultura sasaeng. Ídolos estão a uma curta, e relativamente barata, viagem de metrô, trem ou ônibus. Além disso, eles vivem basicamente como cidadãos comuns. Diferente de celebridades norte americanas, a maioria das celebridades coreanas não vivem enclausuradas em mansões ou condomínios com segurança 24 horas; ao invés disso, eles vivem em normais – embora sofisticados – prédios de apartamentos com outras 200 ou mais famílias. Apesar de parecer incrível que sasaengs sejam capazes de invadir complexos de apartamentos e quartos, é na verdade tão simples quanto encontrar o condomínio e entrar.

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Condomínio onde muitos ídolos moram

E ainda, os ídolos são ativos o suficiente que geralmente as fãs podem ver seus bias pelo menos uma vez por mês, se não mais. Existem também oportunidades de interagir com eles frente a frente durante eventos de autógrafos, ou entregando cartas e presentes nas gravações ao vivo. A maioria dos ídolos têm restaurantes ou cafés, e mesmo que eles possam não te reconhecer, a mãe deles, que é dona do restaurante, irá. Se você aparecer vezes o suficiente, elas saberão quem você é. E também, graças à velocidade da era digital, é extremamente fácil manter contato com seus oppas e unnies – contanto que você conheça as pessoas certas.

Eu pessoalmente testemunhei o poder das informações de fãs pela Internet quando, em um dos meus dias de folga em Seul, eu visitei o café do Infinite em Seul. Frequentemente indo aos programas de música e gravações, eu comecei a ser reconhecida pelas fãs mais frequentes, e elas me atualizavam sobre o status dos ídolos. Elas sabiam que o Sunggyu estava no prédio porque alguém estava sentada do lado de fora do café horas antes dele aparecer. Elas sabiam que Woohyun talvez fosse aparecer em seu restaurante de churrasco mais tarde naquele dia, porque sua agenda estava livre, mas ele ainda não estava lá. Elas sabiam exatamente quando Sungyeol apareceu no restaurante de frango dele, e correram imediatamente para vê-lo. Na era digital, a comunicação entre fãs é constante, e a Coreia sendo um país tão pequeno é impossível para os ídolos se esconderem.

Uma vez, em uma rua atrás do prédio da Woolim Entertainment, uma fã chateada estava lamentando sobre seu ídolo. Ela tinha vindo para a Coreia pelo Infinite, gastou milhares com o Infinite, dirigia um site pelo Infinite, e tirava fotos do Infinite. Então, porquê – ela se irritou – o bias não prestava atenção nela? Esse pensamento era incompreensível para mim. Investir tanto no ídolo para que as ações (perceptíveis) dele fossem  deixá-la chateada de verdade – isso realmente valia a pena? Eu perguntei isso e ela pausou antes de responder: “Eu honestamente não quero casar ou namorar com ele, eu não sou tão estúpida para pensar que isso possa acontecer. Tudo que eu quero é que ele saiba quem eu sou, saiba meu nome, meu rosto. É tudo que eu quero, e é por isso que eu faço isso.”

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 E você, o que acha sobre as sasaengs? 

Vejo vocês no próximo post!

[Original source: Soompi]

[And thank you Harmonicar, for writing this post and for letting me translate it <3]

xoxodora

Dora Leiria

K-popper desde 2009, então decidi fazer um blog pra surtar <3 // K-popper since 2009, so I decided to make a blog to talk about it <3

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2 Discussion to this post

  1. Carol Fagundes disse:

    Eu achei esse ponto de vista bem interessante, mas ainda acho essa coisa de “querer ser notada pelo ídolo a qualquer custo” um pouco demais, até porque geralmente as sasaengs fazem isso de uma maneira negativa, tipo bater na cara do ídolo, provocar acidentes, etc etc. Mas é realmente complicado “se livrar” desse tipo de fã sendo que elas acabam sendo quem mais apoia financeiramente os grupos…

    • Dora disse:

      Exato!! A gente fica com o pensamento dividido em relação a elas mesmo. Por um lado elas são péssimas influências e péssimas fãs também, porque onde já se viu provocar acidentes e causar tumultos? E por outro, elas são ótimas apoiadoras pro grupo. É uma cultura deles mesmo, até porque lá é difícil algum fã ser multifandom, como nós aqui do ocidente.
      Obrigada pelo comentário <3

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